Época Tinita

No século III a.C., o sacerdote Manetão estabeleceu uma cronologia dos faraós desde Menés aos seus contemporâneos, agrupando-os em 30 dinastias, um sistema ainda em uso atualmente.[76] Escolheu para começar a sua história oficial Menés, que se acredita ter unificado os reinos do Alto e Baixo Egito (c. 3 100 a.C.).[77][78] Na realidade, a transição para um Estado unificado ocorreu de forma mais gradual do que os escritores egípcios relatam, e não há registro coetâneo de Menés. Alguns académicos acreditam que Menés pode ter sido Narmer, que aparece vestindo trajes reais na cerimonial Paleta de Narmer em ato simbólico de unificação,[79] ou Atótis, cujo nome de Nebti (Mem) pode ter inspirado o nome grego.[80] Seja como for, por ainda não ser totalmente compreendido, o episódio de unificação e formação do Egito foi explicado de várias formas: a formação de Mênfis (adquiriu importância como centro comercial, administrativo e cultural[81][82]); dominação gradual (mesopotâmica,[83][84][85] núbia, deltaica ou alto egípcia[86]); integração regional (alianças, guerras e trocas culturais[87][57][88]); comércio (explicaria o abandono de alguns sítios deltaicos em detrimento de outros[89] [90][91][92]); pressão populacional (do sul ao norte[93][94]); uniformidade religiosa.[95]

Na Época Tinita, que compreendeu a I e II dinastias, o Egito era governado a partir de Tinis, que nesse momento eclipsou politicamente Abidos, cuja função a partir de então seria apenas religiosa e mortuária.[96][97][98] Sob Atótis, filho de Narmer, campanhas foram feitas para subjugar rebeldes na Núbia e um famoso templo dedicado a Neite foi fundado em Saís. Contudo, talvez a maior realização destes faraós foi a fundação de Mênfis, atribuída por Heródoto a Menés,[b] e que tornar-se-ia capital do Egito a partir da III dinastia.[99] Dentre os sucessores imediatos de Atótis, reinou Merneite, filha de Quenquenés, que atuou como regente de Usafedo. Sob Quenquenés e Usafedo, novas campanhas foram feitas; o primeiro representou-as como expedições navais, enquanto o segundo aparece atacando trogloditas no Oriente.[100] Miebido, sucessor de Usafedo, enfrentou disputa dinástica em seu reinado, que terminou com a sucessão do usurpador Semempsés, que ordenou que seu nome fosse apagado das inscrições, mas ele próprio foi vítima do mesmo destino ao ser omitido da lista de Sacará.[101] Sob Queco, foram instituídos os cultos da cabra de Mendés e dos touros Mnévis de Heliópolis e Ápis de Mênfis, e Binótris fez campanhas e aceitou a sucessão feminina.[102] Sob os últimos faraós da II dinastia, cuja identidade é debatida, o conflito norte-sul piorou e as fontes citam a expedição nortenha que chegou na cidade de Nequebe, centro de culto de Necbete situado perto de Hieracômpolis, que foi combatida e deixou dezenas de milhares de nortenhos mortos. A paz foi alcançada e cimentada com o casamento do faraó com uma princesa do Baixo Egito.[103]

Época Tinita
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Rogerleks Frasson

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