Açores-II
Os Açores, oficialmente Região Autónoma dos Açores, são um arquipélago transcontinental e um território autónomo da República Portuguesa, situado no Atlântico nordeste. Dotado de autonomia política e administrativa, esta autonomia está consubstanciada no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores. Os Açores integram a União Europeia com o estatuto de região ultraperiférica do território da União, conforme estabelecido nos artigos 349.º e 355.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. No censo de 2021, foi registrada uma população residente total na região de 236.657 pessoas.
História
Com quase seis séculos de presença humana continuada, os Açores granjearam um lugar importante na História de Portugal e na história do Atlântico. O arquipélago constituiu-se em escala para as expedições dos Descobrimentos e para naus da chamada Carreira da Índia, das frotas da prata e do Brasil. Contribuiu para a conquista e manutenção das praças portuguesas no Norte de África. Durante a crise de sucessão de 1580 e as Guerras Liberais (1828-1834), os Açores constituíram-se em baluartes da resistência. Durante as duas Guerras Mundiais, foram um apoio estratégico vital para as potências Aliadas, mantendo-se até hoje como um centro de comunicações e apoio à aviação militar e comercial.
O descobrimento do arquipélago dos Açores, tal como o da Madeira, é uma das questões mais controversas da história dos Descobrimentos. Entre as várias teorias sobre este fato, algumas baseiam-se em mapas genoveses produzidos desde 1351, que levam os historiadores a afirmar que as ilhas já eram conhecidas durante o retorno das expedições às ilhas Canárias realizadas por volta de 1340-1345, no reinado de Afonso IV de Portugal. Outras teorias sugerem que o descobrimento das primeiras ilhas (São Miguel, Santa Maria, Terceira) foi efetuado por marinheiros ao serviço do Infante D. Henrique, embora não haja documentos escritos que confirmem tal fato. A apoiar esta versão existe apenas um conjunto de escritos posteriores, baseados na tradição oral, que se criou na primeira metade do século XV. Algumas teses mais arrojadas consideram que a descoberta das primeiras ilhas ocorreu já no tempo de Afonso IV de Portugal e que as viagens feitas no tempo do Infante D. Henrique foram meros reconhecimentos. Alegadamente, foram recentemente descobertos templos escavados nas rochas datados do século IV a.C., de possível autoria cartaginesa, embora essas alegações estejam sendo contestadas por especialistas.
O que se sabe concretamente é que Gonçalo Velho chegou à ilha de Santa Maria em 1431, e nos anos seguintes ocorreu o (re)descobrimento - ou reconhecimento - das restantes ilhas do arquipélago dos Açores, no sentido de progressão de leste para oeste. Uma carta do Infante D. Henrique, datada de 2 de julho de 1439 e dirigida ao seu irmão D. Pedro, é a primeira referência segura sobre uma exploração do arquipélago. Nesta altura, as ilhas das Flores e do Corvo ainda não haviam sido descobertas, o que aconteceria apenas cerca de 1450, por obra de Diogo de Teive. Entretanto, o Infante D. Henrique, com o apoio da sua
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