A origem dos seres vivos . Parte 1

Desde que se tem registro das atividades humanas que a pergunta: “de onde viemos?” é feita. Ao longo dos tempos, os estudiosos procuram evidências e formulam teorias para responder um dos mais antigos enigmas da humanidade.

A primeira teoria de que se tem registro para tentar explicar a origem da vida é a teoria do Criacionismo, a qual basicamente diz que uma entidade toda poderosa criou tudo que existe, incluindo os seres vivos e, consequentemente, a humanidade. Os religiosos denominam essa entidade de Deus e aceitam essa teoria até os dias de hoje.

Na verdade, essa teoria era praticamente a única até o século XIX, devido a dois motivos principais:

  • 1º: Quase ninguém naquela época ousava desafiar a Igreja Católica, fosse por medo dos castigos divinos, fosse por medo da perseguição dessa entidade aos que se opunham aos seus ensinamentos;
  • 2º: Até então se acreditava que todos os seres vivos eram daquela forma que se via, desde o início dos tempos até aqueles dias, sem terem passado por modificações, logo se entendia que a criação ainda era a mesma dos tempos bíblicos.

Teorias que tentam explicar a origem da vida

A Teoria do Evolucionismo é a mais aceita no universo acadêmico (Foto: depositphotos)

Entretanto, muitos não aceitavam essa explicação, ou mesmo os que a aceitavam percebiam lacunas gigantescas sem nenhuma explicação. Por esse motivo não se davam por satisfeitos, levando muitos a estudarem o assunto, mesmo com poucas condições de estudo, muitas vezes baseados apenas na observação de fenômenos naturais. Com o aprimoramento das técnicas e do surgimento de aparelhos como o microscópio e tantos outros que revolucionaram a ciência, foram surgindo novas teorias para explicar a origem da vida. Hoje as principais são:

Teoria da geração espontânea ou Abiogênese

Elaborada por Aristóteles e também chamada de Abiogênese, essa teoria foi amplamente difundida na época por ter a aceitação da Igreja Católica. Essa teoria dizia que existia um princípio ativo na matéria inanimada (sem vida) que a tornava animada (com vida), sem que fosse necessária a intervenção de uma “entidade superior” para o surgimento da vida.

Veja também: Evolução das espécies

Ela usava como exemplo para tal a carne em decomposição, mostrando que aquela matéria sem vida tinha o poder de originar vida através de um fenômeno natural, e o resultado disso eram as larvas que estavam ali presentes.

Nessa teoria aceitava-se ainda a ideia de que assim como as larvas surgiam da carne, roupa suja era capaz de criar ratos e o mau cheiro dos pântanos tinha o poder de criar rãs. Embora pareça absurdo hoje em dia, essa teoria era tão satisfatória na época de Aristóteles, que ainda era aceita 500 anos atrás, na época do descobrimento do continente americano.

Teoria da Biogênese

Proposta pelo cientista italiano Francesco Redi, no século XVII, contestava a teoria da abiogênese e dizia que a vida só poderia surgir de inseminação por ovos, ou seja, a vida só se daria a partir de uma outra vida pré-existente, negando desta forma a possibilidade de surgir vida de qualquer tipo de matéria apenas por um princípio ativo.

Para provar sua teoria Redi fez um simples experimento, mas que revolucionou a ciência por se tratar do primeiro experimento controlado que se tem registro.

Para isso ele colocou pedaços de carne em oito potes, dos quais fechou quatro com um pano que permitia a entrada de ar, mas não de moscas, e deixando os outros destampados. Dias depois, embora ambos estivessem em decomposição, apenas nos destampados que tiveram moscas em contato com a carne existiam larvas, provando que elas vinham das moscas já existentes, e não da própria matéria.

Teoria da Biogênese e o experimento do cientista italiano Francesco Redi (Imagem: Reprodução)

Essa teoria praticamente derrubou a teoria da abiogênese até que, com a descoberta do microscópio, a abiogênese retomou forças, pois os microscópios mostravam os micro-organismos, mas não provavam como eles haviam ido parar ali. Para explicar tal fato, alguns cientistas trouxeram a teoria de volta aos debates, até o século XVIII, quando dois cientistas da época fizeram experimentos semelhantes com resultados opostos.

Biogênese x Abiogênese

John Needham, defensor da abiogênese, aqueceu frascos com diversas soluções e deixou-as ao ar livre. Com isso obteve o resultado de proliferação de micro-organismos nessas soluções, o que para ele provava a geração espontânea defendida por Aristóteles.

Teoria da Abiogênese e o experimento de John Needham (Imagem: Reprodução)

Já Lazzaro Spallanzani, defensor da biogênese, refez as experiências, mas tampou alguns frascos com diferentes “lacres”, como tampas, rolhas e algodão, e percebeu que a quantidade de micro-organismos era proporcional a exposição da solução ao ar por meio da densidade do lacre, logo sugeriu que a vida vinha de ovos contidos no ar, e não gerada espontaneamente.

Teoria da Panspermia

Essa teoria começou a ser desenvolvida ainda no século XIX por alguns cientistas alemães que chamaram a teoria de Teoria Cosmozóica, isso porque eles defendiam que a vida na Terra se originou fora dela, no Espaço Sideral, e chegou ao nosso planeta através dos meteoros. Essa teoria embasava-se na existência de matéria orgânica presente nos meteoros.

Veja também: A evolução dos computadores

Posteriormente, o cientista sueco Svante Arrhenius elaborou uma teoria semelhante onde afirmava que “esporos” vindos numa “onda” do Universo impulsionados por luz chegaram ao planeta. A essa onda de expansão desordenada atribuiu-se o nome de Panspermia, que significa sementes para todos os lados. Por motivos de inviabilidade de vida nesse material devido à radiação do Universo ou a imensa temperatura na entrada da atmosfera do Planeta, a teoria acabou perdendo força e credibilidade.


Fonte : Estudo pratico.com


A origem dos seres vivos . Parte 1
Para explicar tal fato, alguns cientistas trouxeram a teoria de volta aos debates, até o século XVIII, quando dois cientistas da época fizeram experimentos semelhantes com resultados opostos.
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Carla Fernanda Bernardes

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