Ambientalismo no Rio Grande do Sul

O ambientalismo no Rio Grande do Sul vem se revelando um tema de crescente apelo popular. Pioneiro do ambientalismo (ou movimento ecológico) brasileiro, o estado tem uma insigne história neste campo, e apresentou muitas vezes propostas inovadoras. Rico em biodiversidade, o Rio Grande do Sul já possui significativa legislação ambiental própria, além de ser amparado pela legislação nacional, também volumosa; atualmente é desenvolvida uma série de iniciativas para o fomento das pesquisas, do ensino e da divulgação de conceitos ecológicos, tanto nas instâncias públicas como nas privadas; o governo já realizou e realiza grandes investimentos em projetos de várias naturezas, como em saneamento básico, na recuperação de zonas degradadas e na criação áreas protegidas; existem inúmeras associações, cooperativas e ONGs ambientalistas, que promovem o ativismo e apresentam resultados práticos promissores, e o tema é desenvolvido nas escolas e comunidades, em geral com boa receptividade.
Ambientalismo no Rio Grande do Sul
No entanto, o estado também enfrenta graves problemas de poluição, desmatamento e desertificação, entre outros, que colocam desafios importantes para o seu desenvolvimento futuro, além de ter uma longa listagem de espécies ameaçadas, muitas delas já consideradas extintas localmente ou em processo de iminente desaparecimento. Além disso, a aplicação das leis muitas vezes é precária, dificultada por carências crônicas de recursos humanos e materiais, e denúncias de abusos são frequentes. As controvérsias sobre o tema também são grandes, gerando impasses, poderosos interesses políticos e econômicos contrários dificultam os avanços e mesmo provocam retrocessos, e existem resistências de origem cultural, de modo que muito ainda precisa ser feito para que a sociedade consiga articular e sedimentar um modelo de vida sustentável em larga escala, preservando o patrimônio natural riograndense para as gerações vindouras e revertendo, na medida do possível, os extensos danos que já foram causados ao seu meio ambiente.

História da conscientização ambiental no estado

Sobrevivem muitos relatos de viajantes e exploradores dos séculos passados a respeito da riqueza da fauna e flora, e da beleza da paisagem do Rio Grande do Sul. No século XVII jesuítas acusavam a existência de antas no litoral. Em 1703 Domingos da Filgueira ensinava a tirar proveito da abundância de veados e capivaras da campanha. Em 1738 provisões do governo tratavam de proteger o povo da região de Rio Grande e Pelotas das onças que por lá viviam em grande número, e início do século XIX o viajante Nicolau Dreys relatava lá a existência de caçadores que ainda vendiam cinquenta couros do felino por mês. Em 1857 Avé-Lallemant espantava-se com a quantidade de aves vivendo nas margens da lagoa dos Patos, ainda cobertas de mato, e deliciava-se com a exuberância da flora na região de São Leopoldo. No fim do século XIX ainda eram pescadas tainhas em Porto Alegre e dourados no rio dos Sinos.[1] Quando iniciou a colonização italiana na serra do nordeste, a partir de 1875, a região era virgem e coberta pela floresta de araucária.[2][3]

Muito dessa riqueza já não existe. Florestas e animais desapareceram, a poluição tomou conta de muitos rios, a urbanização, a pecuária e a agricultura avançam alterando profundamente a paisagem primitiva.[4][5] A consciência ambiental tardou a se formar, embora alguns daqueles viajantes já apontassem os perigos da exploração desenfreada do meio ambiente. Reinhold Hensel, chegando ao estado em 1865, foi um deles, e em seus escritos registrou que as aves que Lallemant descrevera como abundantes há menos de uma década já eram escassas, que os morros de Porto Alegre, também antes cobertos de árvores, já estavam em grande parte tomados pela vegetação rasteira, e, ao observar a maneira como se processava a colonização alemã no vale dos Sinos, expressou uma preocupação profética:[5]

"Com a frequentemente mencionada precariedade na construção de estradas e pontes, contrasta a falta de consideração com que são destruídas as florestas na instalação e alargamento das colônias, de modo que a madeira para construção, pelo menos nas picadas mais antigas, já começa a ficar rara.... Não se pode proibir ao colono que desmate a sua terra ao seu bel prazer, apenas teria sido tarefa do governo agir de forma mais cuidadosa.... e considerar a eventualidade de que mais cedo ou mais tarde, com os métodos atuais, haveria falta de madeira e de água nos distritos florestais destinados ao cultivo agrícola. Com o lento, porém crescente desmatamento das partes altas da floresta, ocorre a redução das precipitações atmosféricas regulares, e já agora encontram-se, não raramente, nos morros entre as picadas, os vestígios de antigos riachos, cujas fontes secaram desde a fundação das colônias.... Antigamente a floresta protegia a cobertura rica em humus do solo da serra, mas agora ele está exposto às chuvaradas e é carregado cada ano mais para os vales, de maneira que todas as partes mais altas das florestas desmatadas se tornarão impróprias para o cultivo, e mesmo para a silvicultura.... porém a miopia dos brasileiros em todas as coisas da economia nacional não lhes permite este olhar para o futuro
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Rogerleks Frasson

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