As Primaveras

As Primaveras é uma obra de poesias brasileira escrita por Casimiro de Abreu e publicada originalmente pela Typographia de Paula Brito em 7 de setembro de 1859. Foi o único livro divulgado pelo autor e, com a ajuda financeira do pai, repercutiu por todo o país, conquistando inúmeras críticas positivas. Pertence à escola literária do ultrarromantismo e é um dos principais símbolos poéticos da saudade.

Com linguagem simples, o livro agrupa todos os poemas veiculados por Casimiro de Abreu, os quais giram em torno de três temas básicos: o lirismo amoroso, a nostalgia (da infância e da pátria) e a tristeza da vida. As Primaveras, dividido em cinco partes, reforça o sentimentalismo exacerbado, a idealização da figura feminina, o egocentrismo e os devaneios juvenis, características fundamentadas pela escola ultrarromântica e pelo herói byroniano, personagem estilizado pelo escritor e barão Lord Byron.

Considerada a obra mais lida da segunda geração romântica à época do lançamento, seu sucesso possibilitou que o autor fosse escolhido como patrono da cadeira de número seis da Academia Brasileira de Letras. Meus Oito Anos, a criação mais conhecida de Casimiro, foi adaptada para o cinema em um curta-metragem de Humberto Mauro, além de uma poesia de Oswald de Andrade que explicita as diferenças entre os estilos romântico e modernista.

Lorde Byron foi um poeta e barão britânico que, durante sua carreira literária, escreveu Don Juan e Childe Harold's Pilgrimage, dois longos poemas narrativos de forte expressão melancólica. Ele viajou por toda a Europa, principalmente a Itália, onde viveu por sete anos; também se juntou à guerra de independência da Grécia, sendo reverenciado como um "defensor nacional", enquanto outras pessoas o criticavam por diversos casos de amor — inclusive homoafetivos — e rumores de que havia se relacionado com sua irmã. Suas obras idealizaram o "herói byroniano", figura egocêntrica e autodestrutiva com frustrações amorosas e insatisfação social.

A produção de Byron influenciou o movimento romântico, inicialmente no continente europeu, com Glenarvon (1816), obra de sua amante Caroline Lamb; O Conde de Monte-Cristo (1844), de Alexandre Dumas; O Morro dos Ventos Uivantes (1847), de Emily Brontë; Jane Eyre (1847), da britânica Charlotte Brontë, entre outros. Em Portugal, o barão influenciou o desenvolvimento da literatura ultrarromântica, preconizando a subjetividade, o individualismo, o idealismo amoroso, da natureza e do mundo medieval. António Feliciano de Castilho, Camilo Castelo Branco e Soares de Passos foram alguns expoentes dessa vertente.

A presença byroniana não se limitou somente à Europa: os escritores brasileiros da segunda geração romântica (também chamada de ultrarromântica ou "mal do século") utilizavam o amor pela natureza, herdado da escola antecessora e da primeira geração, o sentimentalismo exacerbado e as características do herói byroniano em suas poesias, tal como Álvares de Azevedo, em Lira dos Vinte Anos e Noite na Taverna; Fagundes Varela, em Cântico do Calvário; e Casimiro de Abreu, autor de As Primaveras.

As Primaveras
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Rogerleks Frasson

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