As características do barroco

Características do barrocoAbundância de contrastes, paradoxos e antíteses, representando o dualismo do teocentrismo x antropocentrismo, fé x razão;Uso constante de metáforas e metonímias;Gosto pelo exagero e pela opulência, fazendo uso de hipérboles e de rebuscamento da linguagem;Riqueza de detalhes, sobretudo nas obras arquitetônicas;Dramatismo: esculturas e pinturas com a intenção de despertar as emoções em quem as vê;Conteúdo frequentemente pessimista, em oposição ao sonho de grandeza renascentista, relembrando a instabilidade das coisas – retrato do sofrimento e presença da culpa ante o pecado;Feísmo: gosto pelo grotesco e pela exibição da miséria humana;Conflito entre o eu lírico e o mundo à sua volta, muitas vezes levando ao isolamento.A pintura de Caravaggio, Inspiração de São Mateus, de 1602, apresenta características barrocas marcantes, como presença de luz e sombra, detalhamento. [2]A pintura de Caravaggio, Inspiração de São Mateus, de 1602, apresenta características barrocas marcantes, como presença de luz e sombra, detalhamento. [2]Vejamos na prática a presença dessas características em dois exemplos de poemas no estilo barroco:
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria. 
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia? 
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se a tristeza. 
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
(Gregório de Matos)
Nota-se que o poeta trabalha com o jogo dos opostos, contrastando dia e noite, luz e sombra, alegria e tristeza, em constante dualidade de termos. O pessimismo está presente quando os versos ressaltam a efemeridade das coisas: o dia é claro, a luz é formosa, mas tudo dura pouco – não há constância nas eternas contradições e contrastes da vida humana.
À fragilidade da vidaEsse baixel nas praias derrotado
Foi nas ondas Narciso presumido;
Esse farol nos céus escurecido
Foi do monte libré, gala do prado. 
Esse nácar em cinzas desatado
Foi vistoso pavão de Abril florido;
Esse Estio em Vesúvios encendido
Foi Zéfiro suave, em doce agrado. 
Se a nau, o Sol, a rosa, a Primavera
Estrago, eclipse, cinza, ardor cruel
Sentem nos auges de um alento vago, 
Olha, cego mortal, e considera
Que és rosa, Primavera, Sol, baixel,
Para ser cinza, eclipse, incêndio, estrago.
(Francisco de Vasconcelos)
Nesse soneto também se percebem a fugacidade e efemeridade da vida como temática, principalmente no último terceto, em que o poeta pede a consideração ao mortal para com a finitude de si mesmo e dos elementos da vida como um todo. Estão presentes os jogos de palavras: o uso de paralelismo (“Esse baixel”/ “Esse nácar”), de metáforas (“vistoso pavão”, “Vesúvios encendido”, “Zéfiro suave”) e de oposições para representar a dualidade da vida e da morte (“nau”/“estrago”; “Sol”/“eclipse”; “rosa”/“cinza”; “Primavera”/“ardor cruel”).
As características do barroco
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This article was written by:

WENDERSON MARTINS Miranda

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