Belém Conta com 54 Pontos de Venda de Açaí Certificados com o Selo “Açaí Bom”
Buscando garantir a qualidade do açaí consumido na capital paraense, a Prefeitura Municipal de Belém está entregando, há oito meses, para os batedores do fruto, o selo “Açaí Bom”, um sinal claro para os consumidores de que aquele comerciante está realizando todas as boas práticas de manipulação – que incluem o chamado branqueamento do açaí – além de estar em dia com as licenças de funcionamento.
O selo é entregue aos estabelecimentos pelo Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde (Devisa/Sesma), em parceria com a Secretaria Municipal de Economia (Secon), Associação dos Vendedores Artesanais de Açaí de Belém (Avabel) e governo do Estado. Atualmente, em toda a capital paraense, 54 pontos de venda de açaí contam com o selo de qualidade “Açaí Bom”.
De acordo com o chefe da Divisão de Alimentos do Devisa/Sesma, Jarbas Bulhões, o selo de qualidade “Açaí Bom” atesta para o consumidor o compromisso com a saúde e com a qualidade por parte do estabelecimento onde ele está comprando o fruto. “O selo só é concedido aos estabelecimentos que tiverem a licença de funcionamento concedida pelo Devisa e atenderem ao Decreto Estadual 326/2012, que estabelece requisitos higiênico-sanitários para a manipulação do açaí, como o branqueamento. Atualmente, 54 estabelecimentos estão selados”, informa.
Para a concessão do selo, a equipe de fiscalização avalia o maquinário do estabelecimento, o armazenamento do fruto, as condições estruturais do estabelecimento, o vestuário dos funcionários, a forma de trabalho, os cursos de capacitação recebidos pela equipe, entre outras coisas. “Hoje, já percebemos um grande interesse dos batedores em se adequar à legislação e obter o selo de qualidade, que já é reconhecido pela população”, frisa o representante do Devisa.
Entre as normas cobradas pelo Devisa está o isolamento da área de manipulação do fruto, que não deve ter acesso à residência nem a outras áreas e/ou atividades que possam ser fontes de contaminação. A prefeitura de Belém também disponibiliza um arquiteto para ajudar no layout do ambiente e fluxograma de processamento do fruto. O serviço é gratuito para os proprietários que pretendem se adequar.
O açaí é uma fruta silvestre, por isso, pode conter microorganismos como a Salmonella sp, coliformes fecais e o Trypanossoma cruzi, causador da doença de Chagas. Para eliminar esses riscos, o processo de branqueamento é um grande aliado. Jarbas Bulhões explica que a técnica consiste em mergulhar o fruto do açaí, acondicionado em um balde vazado, em água potável aquecida à temperatura de 80ºC durante 10 segundos. “É muito importante que a população observe se o branqueamento está sendo feito. Esta técnica, quando realizada corretamente, não altera o sabor, a cor e o aroma do açaí e, além disso, alguns batedores nos relataram que o fruto que passa por isso, depois de batido, dura muito mais”, esclarece Jarbas.
Para os batedores de açaí, o selo e todo o acompanhamento que vem sendo realizado pela Prefeitura de Belém trouxe mais tranquilidade. “Esse projeto do selo deu condições para trabalharmos com mais tranquilidade e entregar um produto mais seguro para os clientes. Eu espero que cada vez mais pontos de açaí possam se adequar e ganhar esse selo da prefeitura, pois demonstra um padrão de qualidade”, defende o proprietário do estabelecimento “Papa Açaí”, Bianor Assunção, de 65 anos, vendedor de açaí há mais de 25 anos.
A mesma ideia tem o proprietário do ponto “Açaí Sensação”, Welington Moreira, de 55 anos. “O selo ‘Açaí Bom’ melhora a vida do vendedor de açaí porque os consumidores que têm cuidado com a saúde vão dar mais credibilidade e procurar um produto bom. É muito importante que esse selo de qualidade exista, justamente, para que o consumidor fique seguro de que não irá contrair doenças ao consumir o fruto, como a doença de Chagas”, acredita.
O secretário municipal de Saúde, Sérgio Figueiredo, ressalta que esta gestão assumiu o compromisso de melhorar a qualidade do açaí vendido na capital e, hoje, com o selo, o trabalho já virou uma referência para outros municípios. Em breve, Belém terá também a Casa do Açaí, que está em fase final de implementação, na qual serão feitas qualificações dos batedores e ampliado o trabalho de monitoramento da qualidade do açaí.
“Atualmente, desenvolvemos um trabalho contínuo de fiscalização, atendimento de denúncias da população e de notificações de outros órgãos públicos, e realizamos todo o processo de licenciamento”, reforça o titular da Sesma.
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