Casas romanas do Célio

Casas romanas do Célio  (em  italiano :  Case Romane del Celio ) é um conjunto de antigas  casas romanas  de variados períodos - hoje transformado em um museu - localizado abaixo da  basílica  de  Santi Giovanni e Paolo , no  Clivo di Scauro , no  rione  Célio  de  Roma .
Casas romanas do Célio

História

Mapa mostrando a localização em relação à enorme basílica de Santi Giovanni e Paolo, construída em cima das casas romanas.

O Clivo de Escauro é uma das mais importantes vias do antigo monte Célio e provavelmente deve seu nome a Marco Emílio Escauro, censor em 109 a.C.. Ela representa um extraordinário exemplo de persistência de um elemento urbano da Antiguidade Clássica através de toda a Idade Média até hoje. A entrada para o complexo das "Casas romanas do Célio" era a entrada para o pórtico com lojas que originalmente ficava no piso térreo. A primeira fase corresponde ao domus, a residência romana. No começo do século II, a área onde a igreja está atualmente localizada era ocupada por um opulento edifício residencial com dois pisos de frente para uma alameda paralela ao Clivo di Scauro. Esta casa contava com uma terma no piso térreo e quartos no piso superior. O restante dos edifícios residenciais existiam nas imediações.

A fase seguinte corresponde à ínsula. No começo do século III, durante a era severa, foi construído em frente um bloco de apartamentos. A ínsula tinha uma planta trapezoidal e era composta por pequenos apartamentos nos pisos mais altos. Ali viviam as classes sociais mais pobres da cidade e eram acessíveis diretamente a partir das lojas no piso térreo através da entrada no Clivo di Scauro. Na parede à direita fica a entrada retangular que antes dava acesso a uma loja e que foi incorporada pela parede da fundação da basílica. No topo está um espaço para a uma janela que antes iluminava o conjunto. No final do século III e início do século IV iniciou-se a terceira fase, quando um rico proprietário comprou o complexo inteiro e transformou a ínsula e a residência, separados por uma viela, em uma única e elegante residência. Este novo projeto provavelmente precedeu a utilização dos pisos superiores da ínsula como unidades de aluguel ao passo que a transformação do piso térreo foi adaptada para o uso de uma única família.

Finalmente, na segunda metade do século IV, segundo tradições cristãs, viveram ali os mártires João e Paulo, oficiais da corte de Constantino I executados e sepultados em sua própria casa em 362, durante o reinado do imperador Juliano, o Apóstata (361-363)[1]. A basílica acima foi construída no começo do século V como um projeto do senador Pamáquio, uma importante personalidade da comunidade cristã na época e provavelmente o último proprietário do complexo. Ele abandonou as salas da residência sob a basílica, deixando-as inutilizáveis por causa da construção das paredes da nova basílica de Pamáquio (titulus Pammachii), o que ainda hoje impede que se tenha uma visão clara de todos os recintos do complexo. Diversos espaços e seções da casa continuaram a ser utilizados ainda assim e continuaram a ser visitados depois da construção da basílica, como é o caso do Oratorio del Salvatore medieval[2]. Além disto, uma nova sala foi construída, com uma pequena janela (fenestrella confessionis) a partir da qual os fieis podiam admirar os túmulos dos mártires[3].

As primeiras escavações sob San Giovanni e Paolo foram conduzidas em 1887 por Germano di San Stanislao, o reitor da basílica, que, descendo para uma das câmaras funerárias da área do presbitério, descobriu grandes salas subterrâneas cujas paredes conservavam, sob uma fina camada de cal, traços de pinturas antigas. Inspirando o padre passionista na exploração dos subterrâneos da basílica estava a "Paixão dos Mártires João e Paulo", um relato hagiográfico do martírio dos dois irmãos[1].

Novas escavações arqueológicas foram conduzidas entre 1913 e 1914 pelo padre passionista Lamberto e, em 1951, novas intervenções levaram à descoberta do complexo arqueológico inteiro. Em 2002, uma reforma realizada em colaboração por diversos órgãos do governo italiano e romano levaram à abertura das ruínas ao público[1].

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This article was written by:

Warley Soares

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