De um Alentejano, que só quer ajudar

De um Alentejano, que só quer ajudar.

ENQUANTO HOUVER CORONA NÃ VENHAM PÓ ALENTEJO!

1 1

Tô escrevendo, depois de uma sesta,

Um poema pós de fora.

O viver aqui nã presta.

Vã-se já daqui embora! ...

2

Como notis, aqui, sã frias.

Não aguenta, nem que te mates!

Com três mantas te resfrias,

Gelando a pel 'dos ​​tomates! ...

3

Os dias cá sã tã quentes,

Que, às vezes, nos falta o ari!

São, n 'Amarleja, ardentes…

Nem na rua se pode andar.

4

A vida cá é bizarra.

Com o calor, nã se pode.

Os velhos usam samarra

E as velhas têm bigode.

5

Querem viveri no monti?

Aqui há animais bravos:

Gato-bravo, javali,

Raposa e saca-rabos! ...

6

Às 5 há que alevantari,

Po mor de ver seu gado.

Nem sabem o qué andari,

Com um pé todo cagado! ...

7

Nã temos carro de praça,

Nem sequer a internet!

Anda-se a pé (que desgraça!)

E, às vezes, de bicicleta!

8

Nã temos praia po perto

E assim se bebe bagaço.

Sapo grande, descoberto,

Prega-nos cada cagaço! ...

9

As casas nã têm luz

O lume faz-se no chão.

O gerador produz

Luz pa ver televisão!

10

Pá vida, quinda nos resta,

É nos montis que se movem.

Já viram! Isto nã presta!

Vã-se, pois, daqui embora! ...

11

Se antes era um deserto,

Hoje, continua a seri!

Nã os queremos cá po perto,

E, inda piori, a viveri! ...

12

Poderão nos visitari,

Mas venham noutra altura!

Deixem-se aí ficari,

Enquanto esta merda dura! ...

Abril de 2020 De um Alentejano, que apenas deseja ajudar.

 

Palavras 266

De um Alentejano, que só quer ajudar
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Joaquim Ferreira

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