Diferentes Abordagens de Autismo.

Autismo é uma síndrome comportamental com etiologias diferentes, no qual o processo de desenvolvimento infantil encontra-se distorcido (Gillbert, 1990; Rutter, 1996). A primeira descrição dessa síndrome foi apresentada por Leo Kanner, em 1943, com base em onze casos de crianças que ele acompanhava e que possuíam algumas características em comum: incapacidade de se relacionar com outras pessoas; severos Distúrbios de linguagem (Sendo ESTA POUCO comunicativa) e Uma Preocupação obsessiva Pelo Que É imutável ( mesmice ). Esse conjunto de características foi denominado por ele de autismo infantil precoce (Kanner, 1943).

O diagnóstico e subclassificações do autismo estiveram sob o amplo rótulo de 'esquizofrenia infantil' por muitas décadas. Entretanto, segundo Rutter (1985), já havia nos anos 70, um reconhecimento de que seria necessário distinguir-se entre as severas desordens mentais, surgidas na infância, e as psicoses cujo aparecimento faz mais tarde. Pensar que uma séria anormalidade no processo de desenvolvimento per se  está presente desde cedo na vida da criança (evidência dessa desordem deve ser aparente nos primeiros 36 meses de vida de acordo com o DSM-IV / APA (1994)), o termo 'transtornos invasivos do desenvolvimento tem sido adotado, desde a década de 80.

Diferentes sistemas diagnósticos (DSM-IV / APA, 1994; CID-10 / WHO, 1992) têm baseado seus critérios em problemas causam em três domínios (tríade de prejuízos), tais quais observados por Kanner (1943), que são: a) prejuízo qualitativo na interação social; b) prejuízo qualitativo na comunicação verbal e não-verbal, e no brinquedo imaginativo; e, c) atos e interesses restritivos e repetitivos.

As taxas de prevalência a partir de estudos epidemiológicos variam de 2-3 até 16 em cada 10.000 crianças (Wing, 1996). A prevalência de crianças com autismo típico, no Reino Unido, por exemplo, é de 4-5 em cada 10.000 crianças (Wing & Gould, 1979). Contudo, esta taxa aumenta para 15-20 em cada 10.000 crianças do tipo autista-like  mais incluído, isto é, aquelas crianças que mostram características autistas no que se refere à 'tríade' de comprometimentos (social, comunicação, e atividades restritas / repetitivas). No Brasil, apesar de não haver dados estatísticos, calcula-se que existam, aproximadamente, 600 mil pessoas afetadas pela síndrome do autismo (Associação Brasileira de Autismo, 1997), se considerarmos somente a forma típica da síndrome.

A prevalência é quatro vezes maior em meninos do que em meninas (Rutter, 1985; Wing, 1981) e alguma evidência de que as meninas tendem a ser mais severamente afetadas (Wing, 1996). Entretanto, isso pode ser devido à tendência de meninas com autismo apresentarem QI mais baixo do que os meninos, pelo menos nos estudos de Lord e sua equipe (Lord & Schopler, 1985).

O estudo na área do autismo infantil, desde as primeiras considerações feitas por Kanner (1943) até as mais recentes reformulações em termos de classificação e compreensão dessa síndrome (Rutter, 1996), tem sido permeado por controvérsias quanto a sua etiologia. Historicamente, relevante a respeito da natureza do deficit considerado 'primário' (inato x ambiental) têm constituído os principais postulados das teorias psicológicas sobre o autismo. Algumas dessas teorias serão, a seguir, iniciando-se com uma breve revisão sobre as abordagens psicanalíticas aplicadas ao estudo do autismo, seguidas pelas teorias afetivas, socio-cognitivas, neuropsicológicas e de processamento da informação.  Referencia: Ajuriaguerra, J. (1983). Manual de psiquiatria infantil . SP: Masson do Brasil. [ Links  ]
Diferentes Abordagens de  Autismo.
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Fábio Henrique De Sá Oliveira

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