Dinastia cassita

A dinastia cassita, também conhecida como terceira dinastia da Babilónia, foi uma linhagem de reis de origem cassita que reinaram a partir da cidade de Babilónia na última metade do 2.º milénio a.C. e que pertenciam à mesma família que dirigiu o reino da Babilónia entre 1 595 e 1 155 a.C., a seguir à primeira dinastia da Babilónia (Império Paleobabilónico; 1 894–1 595 a.C.). Foi a mais longa dinastia conhecida desse estado, que governou durante todo o período conhecido como "médio-babilónico" (1595–1000 a.C.).

Os cassitas eram um povo exterior à Mesopotâmia, cujas origens são desconhecidas, embora muitos autores teorizem que tenham sido originários dos montes Zagros. Os seus reis levaram mais de um século a consolidar o seu poder na Babilónia, em condições que permanecem obscuras. Não obstante a sua origem externa, os reis cassitas não mudaram as tradições ancestrais da Babilónia e, pelo contrário, puseram ordem no país após as turbulências que marcaram o fim da primeira dinastia. Não tendo sido grandes conquistadores, empreenderam numerosos trabalhos de construção, nomeadamente nos grandes templos, contribuíram para a expansão dos terrenos agrícolas e sob os seus auspícios a cultura babilónica floresceu e expandiu-se por todo o Médio Oriente. O período cassita continua a ser muito mal conhecido, devido à escassez de fontes com ele relacionadas, das quais poucas se encontram publicadas. Os aspetos económicos e sociais, em particular, estão muito mal documentados, à exceção do que se relaciona com as doações reais atestadas pelas estelas de doações caraterísticas do período, os cudurrus.

Durante a vigência da dinastia, o poder de Babilónia estabeleceu-se de forma definitiva sobre todos os antigos estados da Suméria e da Acádia, formando-se o país denominado "Cardunias" (Karduniash). A partir dos cassitas, quem quer que quisesse dominar a Mesopotâmia tinha que reinar em Babilónia. Esta estabilidade é notável pois trata-se da única dinastia babilónica cujo poderio não derivou da herança de um ou dois reinados fundadores brilhantes seguidos de um declínio progressivo.

Dinastia cassita

Não obstante a sua longa duração, o período da dinastia está mal documentado: as fontes são escassas e poucas delas foram publicadas. Os vestígios arquitetónicos e artísticos desse período são também pouco abundantes; provêm essencialmente do sítio de Dur-Curigalzu, onde se encontrou o único complexo monumental do período cassita, constituído por um palácio e vários edifícios de culto. Foram descobertos outros edifícios em vários sítios maiores da Babilónia, como Nipur, Ur e Uruque. Nos montes Hamrin foram também descobertos outros sítios de menor importância pertencentes ao reino cassita: Tel Maomé, Tel Imlihiye e Tel Zubeidi.[1][2] Mais longe, no sítio de Terqa, no Médio Eufrates, e nas ilhas de Failaka (no que é atualmente o Cuvaite) e Barém, no golfo Pérsico, há também alguns vestígios da dominação cassita. Os baixos-relevos gravados nos cudurrus e selos-cilindros são os testemunhos melhor conhecidos das realizações dos artistas da época.[3]

No que se refere à epigrafia, J. A. Brinkman, um dos maiores especialistas em fontes da época, estimou que tenham sido encontrados aproximadamente de 12 000 textos do período,[4][nt 1] a maior parte deles pertencentes aos arquivos administrativos provenientes de Nipur, dos quais apenas cerca de 20% foram publicados.[nt 2] Foram encontrados em escavações americanas levadas a cabo sobretudo durante o fim do século XIX e estão guardadas em Istambul e em Filadélfia. Os restantes são provenientes de outros sítios: há quarenta tábuas encontradas em Dur-Curigalzu que foram publicadas,[5][6] outros de Ur,[7][8][9] na cidade de Babilónia foram encontrados conjuntos de tábuas económicas privadas e textos religiosos que não foram publicadas.[10] Nos sítios dos montes Hamrin foram também encontradas tábuas, a maior parte delas não publicadas,[nt 3] e há ainda tábuas cuja proveniência é desconhecida (o "arquivo Peiser").[11][12] A maior parte dessa documentação é de caráter administrativo e económico, mas há igualmente algumas inscrições reais e textos escolares e religiosos.[13]

As inscrições reais dos reis cassitas, pouco numerosas e geralmente breves, aportam poucas informações sobre a história política da sua dinastia. É necessário recorrer às fontes mais tardias, que são as crónicas históricas redigidas no início do 1.º milénio a.C., a História Sincrónica[14] e a Crónica P,[15] as quais fornecem informações principalmente sobre os conflitos entre os reis cassitas e os reis assírios.[16] As inscrições reais destes últimos, muito abundantes, dão informações essenciais sobre as mesmas guerras.[17] As inscrições reais elamitas são um pouco menos fiáveis. A estas fontes juntam-se ainda algumas cartas da correspondência diplomática dos reis cassitas com o Egito[18] e com os hititas.[19] As primeiras fazem parte das chamadas Cartas de Amarna, encontradas em Amarna, a antiga Aquetáton, capital do faraó Aquenáton.[18] As últimas foram encontradas em Boğazköy, no sítio da antiga capital hitita, Hatusa.[19]

O tipo de fonte textual relativo à vida administrativa e económica da Babilónia cassita que atraiu mais a atenção dos estudiosos é uma forma de inscrição real, encontrada nas estelas conhecidas como cudurrus (às quais os babilónios chamavam narû), que comemoram as doações reais. Conhecem-se cerca de quarenta cudurrus da época cassita. Os seus textos são geralmente constituídos por uma descrição breve da doação e dos eventuais privilégios, uma longa lista de testemunhas e por maldições àqueles que não respeitassem o ato.[20][21][22]

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This article was written by:

Rogerleks Frasson

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