Escultura helenística

A escultura helenística representa uma das mais importantes expressões da cultura helenística, e o estágio final da evolução da tradição grega de escultura na Antiguidade. A definição de sua vigência cronológica, bem como de suas características e significado, têm sido objeto de muita discussão entre os historiadores da arte, e parece que um consenso está longe de ser alcançado.[1] Usualmente se considera o período helenístico compreendendo o intervalo entre a morte de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., e a conquista do Egito pelos romanos em 30 a.C..[2] Suas características genéricas se definem pelo ecletismo, secularismo e historicismo, tomando como base a herança da escultura grega clássica e assimilando influências orientais.[3]
Escultura helenística

Entre suas contribuições originais à tradição grega de escultura estão o desenvolvimento de novas técnicas, o aperfeiçoamento da representação da anatomia e da expressão emocional humanas, e uma mudança nos objetivos e abordagens da arte, abandonando-se o genérico pelo específico. Isso se traduziu no abandono do idealismo clássico de caráter ético e pedagógico em troca da enfatização dos aspectos humanos cotidianos e do direcionamento da produção para fins puramente estéticos e, ocasionalmente, propagandísticos. A atenção dada ao homem e em sua vida interior, suas emoções, seus problemas e anseios comuns, resultou num estilo realista que tendia a reforçar o drama, o prosaico e o movimento, e com isso aparecendo os primeiros retratos individualizados e verossimilhantes da arte ocidental. Ao mesmo tempo, ocorre uma grande ampliação da temática, com a inclusão de representações da velhice e da infância, de deidades menores não-olímpicas e personagens secundários da mitologia grega, e de figuras do povo em suas atividades diárias.[4][5]

O gosto pelo historicismo e a erudição que caracterizou o período helenístico se refletiu na escultura de forma a incentivar a produção de obras novas de índole deliberadamente retrospectiva, e também de cópias literais de obras antigas, especialmente em função da ávida procura por composições célebres classicistas de parte do grande mercado consumidor romano. Como consequência, a escultura helenística se tornou uma influência central em toda a história da escultura da Roma Antiga. Através da Roma helenizada se preservou para a posteridade um inestimável acervo de modelos formais e de cópias de peças importantes de autores gregos consagrados, cujos originais acabaram desaparecendo em épocas posteriores, e sem as quais nosso conhecimento da escultura da Grécia Antiga seria muitíssimo mais pobre.[6] Por outro lado, o imperialismo de Alexandre em direção ao Oriente levou a arte grega até regiões distantes da Ásia, influenciando as produções artísticas de diversas culturas orientais, originando uma série de derivações estilísticas híbridas e a formulação de tipologias escultóricas novas, entre as quais talvez a mais seminal no Oriente tenha sido a fundação da iconografia do Buda, até então vedada pela tradição budista.[7]

Para o Ocidente moderno, a escultura helenística foi importante como forte influência sobre a produção Renascentista, Barroca e Neoclássica.[8] No século XIX a escultura helenística caiu em desprestígio e passou a ser vista como mera degeneração do ideal clássico, um preconceito que penetrou no século XX e só recentemente começou a ser posto de lado, através da multiplicação de pesquisas atuais mais compreensivas sobre este tema, e apesar de seu valor ser ainda questionado por núcleos resistentes da crítica e seu estudo dificultado por uma série de razões técnicas, ao que parece a plena reabilitação da escultura helenística junto aos estudiosos é apenas uma questão de tempo, pois para o grande público ela já se revelou de grande interesse, garantindo o sucesso das exposições onde é mostrada.[9][10][11][12]

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This article was written by:

Rogerleks Frasson

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