IOQUÍMICA Queimando gordura sem estresse
Em uma série de experimentos com células adiposas cultivadas em laboratório, um grupo internacional de biomédicos desvendou o papel de uma proteína capaz de controlar a queima de gordura. A molécula pode ser um novo alvo em potencial para tratar doenças metabólicas como a obesidade e o diabetes.
Nos últimos anos, novos tratamentos com medicamentos que aceleram a queima de gordura do chamado tecido adiposo marrom, responsável pelo controle da temperatura do corpo humano e de seu peso, vêm ganhando destaque pelos resultados promissores. Todos os compostos usados nesses tratamentos, porém, estimulam os receptores de adrenalina das células, o que aumenta o risco de efeitos adversos associados a esse hormônio liberado pelo corpo em situações de estresse – ele acelera os batimentos cardíacos, aumenta a frequência respiratória e a concentração de açúcar (glicose) no sangue, por exemplo.
Os estudos realizados pela equipe liderada pelo bioquímico Marcus Oliveira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Orian Shirihai, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Estados Unidos, mostraram que bloquear a ação de uma proteína – o transportador mitocondrial do piruvato (MPC) – no interior das células de gordura marrom aumenta o gasto de energia e a queima de gordura sem a necessidade de ativar a via bioquímica acionada pela adrenalina. A proteína MPC normalmente transporta o piruvato, um subproduto do processamento químico da glicose, para o interior das mitocôndrias, onde ele sofre transformações e libera energia. Ao interromper o funcionamento dessa proteína, a célula passa a ter de gerar energia a partir do consumo de seus reservatórios de gordura.
“Identificamos um novo mecanismo capaz de ativar a queima de gordura e o gasto energético”, comenta Oliveira. “Essa é uma descoberta extremamente importante, pois até o momento não existem drogas capazes de promover a ativação da gordura marrom de uma forma independente da adrenalina.”
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