Inquisição Espanhola
O chamado Santo Ofício ou Inquisição foi uma instituição formada pelos tribunais da Igreja Católica para perseguir, julgar e punir pessoas acusadas de terem se desviado de seus ensinamentos – os hereges. Inquisição é um conjunto de instituições criadas para suprimir as heresias que apareceram e qualquer tipo de sincretismo religioso. A Inquisição medieval ocorreu nos séculos 13 e 14, e a Moderna durou do século 15 ao 19, instalando tribunais sempre que surgiam casos de heresia, sendo esses tribunais não permanentes.
A Inquisição Medieval e Sua Expansão
A Inquisição Medieval foi fundada no sul da França, em 1184, no Languedoc, e teve como principal objetivo combater as heresias dos cátaros e albingenses. Em 1231, o Papa Gregório IX instituiu oficialmente a Inquisição, com o objetivo de erradicar seitas religiosas na Itália, França, Alemanha e Portugal. O Santo Ofício recebia as acusações contra pessoas que professassem práticas diferentes das do cristianismo oficial, investigando esses hereges e seitas religiosas, aplicando penas mais brandas, como excomunhão ou tortura leve.
O Surgimento da Inquisição Espanhola
Em 1478, a Espanha fez ressurgir com toda a força a Inquisição. Em 1249, foi implantada no reino de Aragão a primeira inquisição estatal, que se transformou na temível Inquisição Espanhola, com a junção dos reinos de Aragão e Castela. A Inquisição Espanhola perdurou até 1824, controlada pela monarquia hispânica, e se estendeu até as Américas. A Inquisição romana foi chamada de Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição do Santo Ofício e existiu entre 1542 e 1965.
Processos e Métodos da Inquisição
Os tribunais do Santo Ofício estimulavam as delações e sequer davam direito aos acusados de questionarem as acusações ou se defenderem adequadamente. A Inquisição atingiu seu pico quando enfrentou a Reforma Protestante no século 16. Um dos julgamentos mais famosos foi o de Galileu Galilei, em 1633, quando ele foi condenado por afirmar que a Terra girava ao redor do Sol.
Entre os investigados estavam judeus e cristãos-novos, aqueles que haviam se convertido ao catolicismo, mas continuavam a praticar secretamente o judaísmo. Esses indivíduos eram responsabilizados pela sua "crise de fé" e eram considerados culpados de todos os males que aconteciam, como terremotos, pestes e pobreza. A Igreja fiscalizava essas pessoas para garantir que fossem realmente fiéis ao catolicismo e as entregava às autoridades eclesiásticas para serem culpadas e condenadas.
A Expansão do Poder da Inquisição e Seus Efeitos
O poder da Inquisição aumentou com o apoio dos reis católicos da Espanha, tornando-se uma atividade extremamente rentável para a Igreja. A Inquisição passou a tratar como heresia qualquer ofensa, crença ou costumes que contrariassem seus interesses e domínio. A lista de perseguidos foi ampliada para incluir também protestantes, iluministas, bígamos, homossexuais, entre outros. A Inquisição moderna utilizava penas severas, como confisco de bens, condenação à morte na fogueira ou prisão perpétua. Os judeus perseguidos fugiram da Espanha em 1492 e se refugiaram em Portugal, onde a Inquisição também continuou até 1821.
Os judeus eram acusados de prejudicar os reinos e eram entregues aos tribunais da Inquisição, onde o manual “Directorium Inquisitorum” era usado para condená-los. Com a imposição de "morte ou água benta", milhares de judeus foram batizados, mas continuaram a praticar secretamente os ritos judaicos em casa. Isso gerou uma perseguição feroz, com ataques em massa conhecidos como "progroms", caracterizados por crueldade e atrocidades. Estima-se que mais de 50 mil judeus morreram, enquanto cerca de 120 mil fugiram.
Extinção e Legado
Até sua extinção em 1834, a Inquisição Espanhola condenou mais de 300 mil pessoas. Embora não houvesse tribunais semelhantes no Brasil, cerca de 400 brasileiros foram levados a Lisboa, entre 1591 e 1767, onde foram condenados e queimados na fogueira da Inquisição. Em Portugal, a Inquisição matou cerca de 40 mil pessoas.
Read. 5886 Time.