Motivos por que as estátuas do Egito tem o nariz quebrado
Por várias décadas, a quebra dos narizes das estátuas egípcias foi um mistério não solucionado, tanto para especialistas quanto para entusiastas do Antigo Egito, uma das civilizações mais antigas e duradouras do mundo. À primeira vista, o desgaste dessas obras ao longo de milhares de anos parece natural, mas por que tantas delas permanecem intactas, exceto pela ausência do nariz?
Danificações em Representações Bidimensionais
Curiosamente, não são apenas as estátuas tridimensionais que apresentam esse dano. Representações bidimensionais, como uma homenagem ao deus Ptah da 19ª Dinastia, datada de cerca de 1200 a.C., também exibem narizes danificados.
Essa coincidência leva muitos a descartarem a explicação de que o nariz era a parte mais vulnerável e exposta a danos naturais.
Hipóteses e Teorias
Uma das suposições mais comuns, embora refutada, sugere que colonialistas europeus teriam intencionalmente destruído os narizes das estátuas em uma tentativa de apagar as raízes africanas dos antigos egípcios. Contudo, essa teoria carece de fundamento, pois há outras evidências físicas que confirmam a ascendência dos egípcios antigos. Especialistas concordam que, embora o imperialismo tenha causado muitos horrores, essa destruição específica não foi um deles.
Iconoclastia: A Teoria Mais Aceita
A explicação mais confiável até o momento é a de que se trata de um ato de iconoclastia, termo que se refere à destruição de ícones e monumentos por razões religiosas ou políticas. Para os antigos egípcios, as estátuas eram mais do que representações artísticas; elas serviam como ponto de contato entre o mundo terreno e o divino.
O curador sênior de arte egípcia do Museu do Brooklyn, Edward Bleiberg, afirma que os antigos egípcios acreditavam que as imagens podiam abrigar poder sobrenatural. Segundo Bleiberg, a pergunta mais frequente dos visitantes do museu é: "Por que os narizes estão quebrados?" Ele explica que as palavras "escultura" e "escultor" no antigo Egito denotam vida: a escultura era algo criado para viver, e o escultor, alguém que dava vida à imagem.
O Poder das Estátuas
Para os egípcios, objetos que representavam formas humanas podiam ser ocupados por deuses ou por humanos falecidos que haviam se transformado em seres divinos, capazes de influenciar o mundo material. Um exemplo disso é Hathor, a deusa do amor e da fertilidade, descrita em uma inscrição no templo de Dendera:
"Voa do céu para entrar no Horizonte de sua Alma [isto é, seu templo] na Terra, voa em direção ao seu corpo, se une à sua forma."
Com isso em mente, a destruição de narizes visava cortar o elo entre a estátua e o ser divino, privando a escultura de seu poder.
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