Natalie Clifford Barney

Natalie Clifford Barney (Dayton, 31 de outubro de 1876 — Paris, 2 de fevereiro de 1972) foi uma dramaturga, poetisa e romancista estadunidense que viveu em Paris.

O salão literário de Barney, realizado em sua residência na margem esquerda de Paris por mais de sessenta anos, reuniu escritores e artistas de todo o mundo, incluindo figuras de destaque na literatura francesa, assim como modernistas estadunidenses e britânicos da geração perdida. Ela trabalhou para promover as escritoras, criando uma Academia Feminina, em resposta à predominância de figuras masculinas na Academia Francesa. Além disso, Barney ofereceu apoio e inspiração para autores masculinos como Remy de Gourmont e Truman Capote.[1]

Barney era abertamente lésbica e começou a publicar poemas de amor endereçados a outras mulheres em 1900, já que considerava o escândalo a "melhor maneira de se livrar do incômodo" (no caso, pretendentes homens).[2] Em seus escritos, ela apoiava o feminismo e o pacifismo, se opondo à monogamia. Barney teve muitos relacionamentos simultâneos, incluindo romances com a poetisa Renée Vivien e com a dançarina Armen Ohanian, além de um relacionamento de 50 anos com a pintora Romaine Brooks. Sua vida serviu de inspiração para muitos romances, como o best-seller francês Idylle Saphique, de Liane de Pougy, e The Well of Loneliness, de Radclyffe Hall, sem dúvida o romance lésbico mais famoso do século XX.[3]

Natalie Clifford Barney

Natalie Barney nasceu em 1879 em Dayton, Ohio; seus pais eram Albert Clifford Barney e Alice Pike Barney.[4] Seu pai tinha ascendência inglesa e era filho de um rico fabricante de vagões de trem; sua mãe tinha ascendência francesa, holandesa e alemã.[5] Quando Natalie tinha seis anos de idade, sua família passou o verão no Long Beach Hotel, em Nova York, mesmo local onde Oscar Wilde estava dando uma palestra. Enquanto ela passava por ele, correndo com um grupo de meninos, Wilde pegou-a pelo braço, sentou-a em seu colo e começou a contar-lhe uma história.[6] No dia seguinte, ele se juntou a Barney e a sua mãe na praia, sendo que a conversa deles mudou o curso da vida de Alice, que ficou inspirada em se tornar uma artista, apesar da desaprovação de seu marido.[7] Ela seria aluna de Carolus-Duran e James McNeill Whistler.[8] Muitas das pinturas de Alice Pike Barney se encontram atualmente no Museu Smithsonian de Arte, em Washington.[9]

Como muitas meninas de sua época, Natalie Barney teve uma educação casual.[10] Seu interesse pelo francês teve início quando uma governanta começou a ler as histórias de Júlio Verne para ela em voz alta, com o intuito de que ela aprendesse o idioma rapidamente para que pudesse compreender as histórias.[11] Mais tarde, ela e sua irmã mais nova, Laura Clifford Barney, frequentaram o internato de Les Ruches, em Fontainebleau, fundado pela feminista Marie Souvestre e frequentado também por Eleanor Roosevelt.[12] Na fase adulta, ela falava francês fluentemente, sem sotaques, e fez de Paris sua cidade. Quase todas as suas obras publicadas foram escritas em francês.

Quando Barney tinha dez anos de idade, sua família se mudou de Ohio para Washington, D.C., passando os verões na cidade de Bar Harbor, no estado de Maine. Sendo a filha rebelde e pouco convencional de uma das famílias mais ricas da cidade, ela foi muito mencionada nos jornais da capital dos Estados Unidos. Quando tinha em torno de vinte anos de idade, ela foi parar nas manchetes por galopar em Bar Harbor usando uma sela masculina, ao invés da sela lateral então utilizada pelas mulheres.[13]

Barney declarou mais tarde ter conhecimento de que era lésbica desde os 12 anos de idade;[14] ela estava determinada a "viver abertamente, sem esconder nada".[15] Em 1899, depois de ver a cortesã Liane de Pougy num salão de dança em Paris, Barney apresentou-se na residência de Pougy vestida de pajem afirmando ser um "pajem do amor" enviado por Safo. Apesar de Liane ser à época uma das mulheres mais famosas da França, constantemente procurada por homens ricos, a audácia de Barney lhe encantou. O breve romance das duas serviria de base para o roman à clef escrito por Liane, intitulado Idylle Saphique (Idílio sáfico). Publicado em 1901, o livro tornou-se um dos mais falados de Paris, sendo reimpresso 69 vezes apenas em seu primeiro ano. Àquela altura, no entanto, as duas já haviam se separado após constantes brigas envolvendo o desejo de Barney de "salvar" Liane da vida de cortesã.[16]

Barney contribuiu em um capítulo de Idylle Saphique, onde ela descreve quando se reclinou nos pés de Liane em uma caixa blindada, enquanto assistia Sarah Bernhardt em Hamlet.[17] No intervalo, Barney compara situação de Hamlet com a das mulheres: "O que há para as mulheres que sentem a paixão para a ação quando o destino impiedoso prende-as em correntes? O destino nos fez mulheres num tempo em que a lei dos homens é a única lei que é reconhecida".[18] Ela também escreveu Lettres à une Connue (Cartas a uma conhecida), seu próprio romance epistolar sobre o caso que teve com Liane. Embora Barney não tenha conseguido encontrar um editor para o livro, tendo mais tarde chamado-o de ingênuo e desajeitado, este é notável pela sua discussão da homossexualidade, que Barney considera natural, comparando-a com o albinismo.[19] "Minha homossexualidade", escreveu, "não é um vício, não é deliberada, e não prejudica ninguém".[20]

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This article was written by:

Rogerleks Frasson

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