Os Jovens e seus Problemas de socialização.

O presente trabalho examina criticamente a atualidade da noção de socialização política, tendo em vista as questões que hoje se colocam sobre o distanciamento dos jovens em relação à política. O conceito de socialização política é analisado sob dois aspectos principais: em primeiro lugar, são discutidos seus pressupostos relacionados a uma teoria identitária de subjetividade que essencializa posições subjetivas relacionadas à idade, e se apoia numa visão desenvolvimentista da trajetória de vida humana. Em segundo lugar, discute-se como os estudos de socialização política pressupõem uma divisão entre espaços público e privado, em que as relações de transmissão cultural entre jovens e adultos, restritas ao espaço privado, desconsideram a contribuição da juventude em relação às decisões da vida em comum.Política e juventude apresentam-se como temas distantes em boa parte da literatura sobre jovens, ao passo que temáticas como, por exemplo, sexualidade, identidade, relações com pares e questões ligadas à vocação profissional, têm sido frequentes na produção de trabalhos sobre a juventude. O fato de que os jovens, até atingirem sua maioridade, estão alijados de direitos políticos plenos na maioria das sociedades modernas, contribui para que a reflexão sobre Política e juventude tenha sido significativa apenas no tocante a como os jovens se preparam para a atividade política na idade adulta. Não somente na Psicologia, como também em outras áreas do conhecimento, os jovens constituem foco de interesse enquanto passíveis de serem ensinados a adotarem atitudes e condutas que são consideradas importantes nas democracias modernas. A articulação entre juventude e Política tem sido entendida, principalmente, por meio do conceito de socialização política, ou seja, o processo de preparação do jovem para assumir seu lugar ulterior de cidadão, consciente de seus direitos e deveres políticos.

O objetivo deste trabalho é examinar a atualidade do conceito de socialização política a partir de problemas que são levantados hoje sobre as relações entre a juventude e a Política. Especialistas e leigos assustam-se com o declínio dos 'valores políticos' entre os jovens, observando atitudes de apatia, indiferença e descrédito em relação à política institucionalizada que poriam em cheque o futuro das democracias, e atestariam o afastamento do cidadão comum das decisões sobre o destino das sociedades (O'Toole, Lister, Marsh, Jones & McDonagh, 2003; Putnam, 2000; Stolle & Hooghe, 2004; Welti, 2002). Impõe-se, assim, uma aproximação entre juventude e Política pela via de uma 'crise' que se observaria entre os jovens — ainda que não apenas nesse segmento — em relação à manutenção das democracias, já que, para que essas vigorem, é necessário que haja mobilização e investimento por parte dos grupos e dos indivíduos para garantir a vitalidade das instituições que lhes dão sustentação.


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