Poemas de cruz e Souza

Poemas de Cruz e Sousa

No soneto “Sonho branco”, do livro Broquéis de Cruz e Sousa, o eu lírico personifica e descreve o sonho, que está vestido “de linho e rosas brancas”. Tal sonho é virgem, puro, no peito do eu lírico. Além disso, é o deus do luar e nascido das estrelas. Ele segue por um caminho branco e florido, onde as aves cantam. No entanto, em contraste com a sua alegria, está a sua morte iminente:

Sonho Branco

De linho e rosas brancas vais vestido,
Sonho virgem que cantas no meu peito!...
És do Luar o claro deus eleito,
Das estrelas puríssimas nascido.

Por caminho aromal, enflorescido,
Alvo, sereno, límpido, direito,
Segues radiante, no esplendor perfeito,
No perfeito esplendor indefinido...

As aves sonorizam-te o caminho...
E as vestes frescas, do mais puro linho
E as rosas brancas dão-te um ar nevado...

No entanto, ó Sonho branco de quermesse!
Nessa alegria em que tu vais, parece
Que vais infantilmente amortalhado!

Como características de estilo, é possível apontar:

  • rigor formal (metrificação — versos decassílabos — e rimas);
  • maiúsculas alegorizantes (“Luar” e “Sonho”);
  • presença da cor branca (“rosas brancas”, “claro deus”, “alvo”, “ar nevado” e “Sonho branco”);
  • sinestesia — combinação de dois ou mais sentidos físicos (“brancas”, “radiante” e “esplendor” — visão; “cantas” e “sonorizam” — audição; “aromal” — olfato; “frescas” e “nevado” — tato);
  • pessimismo (no último verso);
  • uso de reticências para dar um tom vago e impreciso.

Já no poema “Lésbia”, também do livro Broquéis, a mulher lésbica é comparada a um arbusto “selvagem”, “planta mortal, carnívora”. O poema está centrado na sexualidade dessa mulher e caracteriza o amor por ela sentido como “trágico e triste”, visão preconceituosa do século XIX.

Além disso, de acordo com a visão científica equivocada dessa época, a mulher é considerada “nervosa” e “doente”. É também comparada a uma serpente cruel, demoníaca e sensual (“seios acídulos, amargos”, “capros aromas”). O poema, portanto, traz uma visão negativa e preconceituosa do eu lírico em relação à mulher lésbica:

Lésbia

Cróton selvagem, tinhorão lascivo,
Planta mortal, carnívora, sangrenta,
Da tua carne báquica rebenta
A vermelha explosão de um sangue vivo.

Nesse lábio mordente e convulsivo,
Ri, ri risadas de expressão violenta
O Amor, trágico e triste, e passe, lenta,
A morte, o espasmo gélido, aflitivo...

Lésbia nervosa, fascinante e doente,
Cruel e demoníaca serpente
Das flamejantes atrações do gozo.

Dos teus seios acídulos, amargos,
Fluem capros aromas e os letargos,
Os ópios de um luar tuberculoso...

Quanto a suas características formais, o poema possui:

  • rigor formal (metrificação — versos decassílabos — e rimas);
  • maiúscula alegorizante (“Amor”);
  • sinestesia (“vermelha” e “flamejantes” — visão; “explosão” e “risadas” — audição; “aromas” — olfato; “espasmo”, “gélido” e “tuberculoso” — tato; “acídulos” e “amargos”— paladar);
Poemas de cruz e Souza
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This article was written by:

WENDERSON MARTINS Miranda

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