Universo Paralello

A capital moderna criada a partir dos sonhos de JK, uma Brasília das curvas de Niemeyer, já tinha uma cena roqueira iniciada, comandada por jovens que bebiam Baré Cola, um refrigerante pertencente a AmBev, nos sabores tuti -fruti, guaraná e noz-de-cola.  Uma geração em oposição à geração Coca-Cola, e eles eram diferentes mesmo: eram rebeldes em suas atitudes e em sua música. Mas no cerrado, as coisas começaram a esquentar mesmo foi na segunda metade dos anos 70/80, quando os ventos da liberdade política (a anistia dos presos políticos) e musical (o punk rock) começaram a soprar. Pinçamos nessa história uma pequena mas importante banda, a banda chamada ‘A Primeira Pedra’, que tinha como guitarrista o nosso personagem central: Juarez Petrilho.

riado em uma família de intelectuais da esquerda que o ensinou a gostar de jazz e música clássica, numa época de utopias políticas, o ensinaram também a admirar teorias socialistas, se tornando ao crescer um jovem sonhador, cineasta e roqueiro de mente fervilhante.

Este estava tendo seu primeiro contato com um novo tipo de som que até então era considerado desagradável, como a música eletrônica soava aos ouvidos curtidos ao molho do bom e velho rock n’ roll. Estas músicas, que chegavam na cidade pelas mãos de amigos de toda parte do mundo e começava a ser tocada em festas em embaixadas e raves ilegais, em toda a cidade onde tivessem pessoas dispostas para dançar aqueles sons malucos.

Na metade dos anos 90, a Capital do Rock (tendo bandas como Aborto Elétrico, Legião Urbana, Capital Inicial, e Plebe Rude) foi abrindo tendas de música eletrônica em festas de rock e os dois gêneros, como acontece muito na história, se enamoraram mais uma vez, agora em terras tupiniquins. E logo uma iniciante cena de raves ao som do Trance também surgiu em vales e cachoeiras do Distrito Federal. Porém não foi ali que Juarez sentiu o forte poder do Trance…

Foi numa temporada em Amsterdam que de fato o Trance bateu de uma forma especial em seus ouvidos, corpo e alma. A viagem foi originalmente realizada com o intuito de passar um tempo com seus filhos, que lá moravam com a mãe, a DJ Ekanta , e os gêmeos Alok e Bhaskar (nomes que vieram da doutrina Bhagwan Shree Rajneesh, também conhecido como Osho –  o filósofo indiano que prega a liberdade individual, a oposição à autoridade e a busca do autoconhecimento através de técnicas de meditação).

O nome dos filhos veio de uma carta enviada da Índia após o tio de mesmo nome, Alok (Dario Ashkar Petrilho), preencher um formulário. Osho acredita que abrir mão do nome de batismo e ter um nome de poder, garante uma libertação do passado e o início de uma nova vida recheada de muito conhecimento interno. Os gêmeos, que lá moravam com a mãe, receberam o Juarez para ficar um tempo com a família, e claro, curtir tudo que Amsterdam tem a oferecer. E foi nessa provocativa cidade holandesa que finalmente o nosso cineasta teve contato direto não só com o som, mas também com a cultura Trance. A cena eletrônica holandesa, a frente com rádios, clubes, raves e festivais tocando para todos os gostos, em eventos gratuitos e pagos que já contavam com nomes como Tiesto e Armin van Buuren, entre outros que também mais tarde se tornaram super DJ’s (como o próprio filho Alok). Juarez voltou de lá renovado, com o Trance já disputando espaço com o rock em seu coração.

Nos anos seguintes (1997/1998) Juarez e amigos começaram a produzir também pequenas festas de Trance psicodélico, chamadas de Universo Paralello. Feitas principalmente para um público que surgia e não tinha pilha para fazer um longo rolê até Trancoso, onde o Trance rolava solto principalmente na virada do ano.

Há anos, um amigo de Juarez que tinha uma enorme fazenda em Goiás, sonhava em transformar aquele lugar, repleto de belezas naturais e exuberantes, em um espaço de lazer e cultura alternativa. E um clique mais tarde veio a mente de Juarez e seus amigos.

Com a morte do dono da fazenda, esse clique veio a se materializar na virada do milênio (1999/2000), ano em que os jornais espalhavam o pânico sobre um tal “bug do milênio” que iria parar computadores em todo o mundo, brecando uma geração inteira. O bug não veio, mas algo de extraordinário realmente aconteceu com essa nova geração a partir de agora, cada vez mais conectada e tecnológica.

Em 2000 a primeira edição do Universo Paralello, em formato de festival, foi organizada para o réveillon na Fazenda Água Fria, na Chapada dos Veadeiros, centro-oeste do país. Eram 3 dias de festa, paz, amor e música, sem sites ou flyers, sem divulgação que não fosse o boca-boca. Uma festa entre DJs e amigos de Brasília e Goiânia, que ganhou corpo quando a galera de São Paulo, DJ Mack, Tati, Joe e outros, empolgados com a ideia, trouxeram consigo uma turma grande de São Paulo. A festa explodiu reunindo 700 sortudos. E foi um marco na cena Trance do cerrado.

Já a segunda edição, no réveillon de 2001/2002, realizada na Fazenda Veredas (Alto Paraíso – GO) teve duração de 5 dias ininterruptos de chuva e um festival que sobreviveu na raça, com a produção funcionando a plenos vapores debaixo daquele temporal.

O Universo Paralello, um dos festivais mais importantes do cenário nacional, esgotou em minutos os ingressos do lote promocional para a edição de 2021/2022. Foram apenas 1.000 ingressos disponíveis no dia 13 de setembro, para ajudar o festival a dar o start na produção do evento. O valor promocional foi de R$770 mais taxas.

Logo após o encerramento do lote promocional, foi anunciado que o festival lançará mais um lote promocional, em novembro – mais ainda sem data definida. Atualizaremos aqui quando tivermos todas as informações.

A 16ª edição deverá acontecer durante nove dias, de 27 de dezembro de 2021 a 03 de janeiro de 2022 na Praia de Pratigi, BA. Como o Universo Paralello acontece a cada dois anos, não sofreu da mesma maneira que outros produtores com a crise atual da pandemia, mas é fato que um festival como esse precisa de antecedência e da crença de seus frequentadores em um futuro melhor do que estamos vivendo para poder existir, principalmente se quiser estar nos moldes necessários para entregar a experiência que todos esperamos e amamos.

Como forma de transparecer essa mensagem, o primeiro texto publicado nas redes sociais do UP começava assim: “Para nós, já é normal estar sempre construindo o ‘novo’, mas o nosso não é um ‘novo normal’… sempre foi o ‘novo paralello'”.

Universo Paralello
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thereza cristina

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