espionagem

O fabricante suíço Crypto produziu por décadas máquinas de criptografia manipuladas. Serviços secretos dos EUA (CIA) e Alemanha (BND) conseguiram espionar metade do mundo com elas. O golpe de espionagem só foi descoberto em fevereiro de 2020. Agora uma reportagem dá mais detalhes sobre o caso.

Este conteúdo foi publicado em 13. dezembro 2020 - 10:0013. dezembro 2020 - 10:00Dominik LandwehrOutras línguas: 9

O imigrante sueco Boris Hagelin fundou em 13 de maio de 1952 a empresa Crypto. A primeira sede era seu chalé em Zug. Uma secretária trabalhava na sala. Os técnicos, na garagem. No entanto, a empresa não era uma startup clássica. Hagelin tinha chegado à Suíça quatro anos 

Hagelin e os EUA

Antes da II Guerra Mundial, Hagelin tinha desenvolvido a M-209, uma máquina cifradora do tamanho de uma caixa, particularmente adequada para o uso em deslocamento. Os EUA compraram a licença e produziram aproximadamente 140 mil delas. Quando Noruega e Dinamarca foram ocupadas em 1940, Hagelin emigrou aos EUA.

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O que o governo sabia?

As atividades comerciais da Crypto AG eram compatíveis com a neutralidade da Suíça? O especialista em direito internacional, Oliver Diggelmann, considera o caso uma violação clara à Lei de neutralidade: "Um país que se afirma neutro não deve se aliar a um outro estado em um conflito. Nesse caso, a Suíça ajudou os americanos a espionar seus inimigos".

Já o cientista político Laurent Goetschel vê isso de uma forma diferente: "Isso só vale se as autoridades tinham conhecimento do caso".

O relatório explica que, oficialmente, as autoridades suíças só descobriram o caso em outono de 1993. E desde 2002 utilizava dos mesmos sistemas "fracos" de criptografia para ler mensagens enviadas por outros países. No entanto anteriormente já havia pistas concretos que a Crypto AG trabalhava para serviços secretos estrangeiros.

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Em meados dos anos 1970, um ex-funcionário da empresa denunciou o caso ao Exército suíço e o Procurador Federal. Ele havia pedido demissão em 1977 e contou que sua antiga empresa produzia aparelhos de criptografia, nos quais haviam sido construídas "aberturas" para permitir a leitura das mensagens. As autoridades iniciaram investigações sob o codinome "Code", mas que terminaram sendo arquivadas. O interessante é que os arquivos foram considerados "perdidos" no início de 2020, mas foram alguns meses depois reencontrados. A comissão parlamentar crítica, inclusive, a forma como se lidou com os arquivos.

Em 1992, a Crypto AG retornou às manchetes. Foi quando Hans Bühler, um engenheiro de vendas da empresa, foi preso em Teerã sob a acusação de espionagem. Sua detenção durou nove meses. Ao retornar à Suíça, foi demitido pela empresa. Bühler então contou aos jornais o verdadeiro motivo da prisão: os iranianos suspeitavam que os dispositivos criptográficos tinham uma porta traseira para os serviços secretos dos EUA.

Res Strehle, jornalista de Zurique, pesquisou o caso durante anos. Em 1994 publicou a reportagem em forma de livro. Seis anos depois publicou um segundo livro sobre o assunto, dando novos detalhes: "A Suíça sabia há mais de 25 anos que a Crypto AG trabalhava para serviços secretos estrangeiros, mas não havia provas."

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Abel Borges

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