vida de imigrante

Vida de imigrante: os prazeres e as angústias de migrar.Venho por meio deste abrir meu coração pra vocês, queridos leitores, mais uma vez, e divagar um pouco sobre essa vida louca e linda de imigrante.Ouço muito as pessoas falando por aqui que não são imigrantes, e sim expatriados, que imigrante é uma maneira menos polida de dizer que saímos do nosso país de origem e viemos tentar a vida em outro. Será mesmo? Olha o que diz o dicionário:Imigrar: Instalar-se em um país estrangeiro, normalmente, de modo definitivo.Imigrante: Pessoa que habita e possui residência fixa (legal ou ilegal) em um país estrangeiro.E agora expatriado: Indivíduo que foi alvo de expatriação; quem se expatriou; pessoa que foi obrigada ou não a viver fora de seu país.
Quando a gente decide migrar para outro país, independente do motivo (no meu caso, como falei acima, por escolha mesmo), a primeira coisa que pensamos e a única certeza que temos é que será tudo diferente do que estamos acostumados. A língua vai ser outra, a cultura, o jeito das pessoas, o clima, tudinho, na maioria dos casos, vai mudar. E a gente vai se preparando pra isso aos poucos, no processo de sair de casa e migrar. O que ninguém te conta é que, depois de um tempo, essas mudanças acabam se tornando corriqueiras, e pessoas que são adaptáveis (e quem quer migrar tem que ser ou ao menos se esforçar pra ser adaptável) se acostumam com isso.

Só que no momento que você sai do seu país, onde na maioria das vezes vivemos em uma zona de conforto gigantesca (e não falo zona de conforto de privilégios, de grana, etc., falo zona de conforto geral, desde a simples tarefa de sair e comprar um pão na padaria da esquina e saber pedir exatamente o que tu quer até receber uma carta em casa e entender tudo que tá escrito nela), a gente NUNCA MAIS entra em zona de conforto. Estou sendo radical, eu sei, e perdoe-me quem já se sente numa zona de conforto no seu novo país, porque eu, depois de 2 anos e meio fora não sei o que é estar fazendo algo totalmente confortável. Entendem?

Mesmo em Berlim, lugar que eu tanto amo e onde é minha casa agora, que é uma cidade aberta, cosmopolita, onde na maioria das vezes eu posso falar inglês com as pessoas e muitas vezes até o português, mesmo aqui, a zona de conforto é algo que eu acredito nunca mais alcançar.

Vocês podem estar pensando: “Tá, mas e aí, Mah, é horrível não se sentir numa zona de conforto, não é? Então porque tu tá aqui?” NÃO, gente boa, não é horrível, eu diria que é desafiador. Aqui eu me sinto todos os dias tendo que provar a mim mesma que eu consigo as coisas, que eu sou capaz. Aqui eu comemoro as pequenas vitórias do dia a dia que quando eu morava no Brasil eram esquecidas.

Aqui em vibro a cada frase que consigo pronunciar em alemão, a cada informação que consigo dar na rua, a cada produto que descubro no supermercado e consigo realmente entender pra que serve. Aqui me sinto vitoriosa quando saio pelas ruas de bicicleta e não uso o Google Maps ou quando pego o metrô e desço exatamente onde eu queria, apenas olhando as informações das estações. Aqui vibramos e comemoramos coisas que todos deveríamos vibrar, pois essas vitórias diárias é que fazem a vida valer a pena e que nos fazem sentirmos vivos, sabe como é?

Eu sinto falta de não me sentir segura, claro, estaria mentindo se dissesse que não é cansativo todos os dias ter que provar ser forte pra si mesma, provar ser bom, capaz. Às vezes a vontade que dá é de sentar no sofá, pegar uma almofada e gritar: CHEGAAAAA! Para o mundo que eu quero descer, não aguento mais esse monte de desafios, só quero relaxar e simplesmente viver.


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Dariane Tosta

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