O fim do monopólio amazônico da borracha

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, terminada em 1912, já chegava tarde. A Amazônia estava perdendo a primazia do monopólio de produção da borracha, pois os seringais plantados pelos ingleses na Malásia, no Ceilão e na África tropical durante o período de crescente valorização da borracha no cenário internacional, com sementes oriundas da própria Amazônia, passaram a produzir látex com maior eficiência e produtividade. Consequentemente, com custos menores e preço final reduzido, esses seringais assumiram o controle do comércio mundial do produto, superando o Brasil.

A borracha natural da Amazônia passou a ter um preço proibitivo no mercado mundial, resultando na estagnação da economia regional. A crise da borracha tornou-se ainda mais grave devido à falta de visão empresarial e governamental, resultando na ausência de alternativas que possibilitassem o desenvolvimento regional. Isso levou à estagnação também das cidades. A responsabilidade não pode ser atribuída apenas aos empresários conhecidos como Barões da Borracha e à classe dominante em geral, mas também ao governo e políticos que não incentivaram a criação de projetos administrativos para gerar planejamento e desenvolvimento sustentado da atividade de extração do látex.

Desde a época do Governo Imperial, projetos de incentivo à produção ou proteção da maior fonte de renda do Brasil no final do século XIX eram descartados, superando o decadente ciclo do café. O Governo Monárquico estava atrelado ao interesse econômico dos barões do café, que direcionava todos os esforços governamentais para manter a riqueza do sudeste brasileiro, mais influente do que os barões da borracha. Atendendo ao pedido de industriais norte-americanos, também impediu que o governo do Pará criasse taxas alfandegárias protecionistas para os exportadores estrangeiros.

Com a República, pouca coisa mudou. O baixo peso político contrastava com o poder financeiro do riquíssimo Norte. O poder, concentrado no Sudeste brasileiro, passou a ser controlado pelos interesses econômicos dos cafeicultores e dos pecuaristas, resultando na política do café-com-leite, e excluindo os interesses dos barões da borracha, que também pouco se movimentavam politicamente para serem incluídos, preferindo gastar seu dinheiro em cassinos europeus a investir em "lobbies" por acreditarem que o ciclo da borracha nunca acabaria.

Embora restem a ferrovia Madeira-Mamoré e as cidades de Porto Velho e Guajará-Mirim como herança desse apogeu, a crise econômica provocada pelo término do ciclo da borracha deixou marcas profundas em toda a região amazônica: queda na receita dos Estados, alto índice de desemprego, êxodo rural e urbano, sobrados e mansões completamente abandonados, e, principalmente, uma completa falta de expectativas em relação ao futuro para os que insistiram em permanecer na região.

O fim do monopólio amazônico da borracha
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armando magalhães faria junior

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