Palácio de Westminster

O Palácio de Westminster, também conhecido como Casas do Parlamento (em inglês, Houses of Parliament), é o palácio londrino onde estão instaladas as duas Câmaras do Parlamento do Reino Unido (a Câmara dos Lordes e a Câmara dos Comuns). O palácio está situado na margem Norte do rio Tâmisa, no Borough da Cidade de Westminster, próximo a outros edifícios governamentais ao longo da Whitehall.

O palácio é um dos maiores Parlamentos do mundo, constituindo um dos ex-libris de Londres, o que faz dele um dos edifícios mais célebres do planeta. O esquema do palácio é intrincado, com os edifícios existentes a conterem mais de 1.000 salas, 100 escadarias e 5 km de corredores. Apesar de a maior parte da construção datar do século XIX, entre os edifícios originais do Palácio encontram-se o Westminster Hall, usado atualmente para importantes cerimônias públicas, como os Funerais de Estado, e a Torre das Jóias (Jewel Tower).

A tutela do Palácio de Westminster e de seu recinto foi exercida durante séculos pelo representante da Rainha, o Lorde Camareiro-Mór (Lord Great Chamberlain). Por acordo com a Coroa, o controle passou para as duas Câmaras em 1965. Certas salas de cerimônia continuam sob a alçada do Lorde Camareiro-Mór. Depois de um incêndio em 1834, as atuais Casas do Parlamento foram reconstruídas nos 30 anos seguintes. Foram obra do arquiteto Sir Charles Barry (1795-1860) e de seu assistente Augustus Welby Pugin (1812-1852). O desenho incorporou o Westminster Hall e o que restava da capela de Santo Estêvão.

Todos os cidadãos britânicos têm o direito tradicional de pedir para se avistarem com seus membros do Parlamento, encontrando-se no elaboradíssimo Salão Central (Central Lobby). Durante as sessões parlamentares, é possível assistir aos debates a partir da Galeria dos Estranhos (Strangers' Galleries). Até a Rainha está sujeita a restrições. Durante a Abertura Solene do Parlamento (State Opening of Parliament), a soberana deve sentar-se no trono entre os Lordes, enquanto o Primeiro-Ministro e os membros do Gabinete são convidados a entrar pela Câmara dos Comuns — um costume que remonta à intrusão arbitrária de Carlos I para pedir a prisão de cinco membros do Parlamento, tendo, no entanto, falhado em seu propósito.

O Palácio de Westminster teve uma importância estratégica durante a Idade Média por estar localizado nas margens do Rio Tâmisa. O local foi ocupado por edifícios desde, pelo menos, a época dos Anglo-Saxões. Conhecido nos tempos medievais como "Thorney Island" (Ilha Thorney), o primeiro rei a usar este sítio para residência real deve ter sido Canuto, o Grande (reinou entre 1016 e 1035). O penúltimo monarca saxão da Inglaterra, Eduardo, o Confessor (reinou entre 1042 e 1066), construiu um Palácio Real na Thorney Island, logo a oeste da Cidade de Londres, quase ao mesmo tempo em que construiu a Abadia de Westminster (de 1045 a 1050). Consequentemente, Thorney Island e a área envolvente rapidamente se tornaram conhecidas como Westminster (uma palavra composta de west «oeste» e mynster «mosteiro»). Após a Conquista Normanda (1066), Guilherme I estabeleceu-se na Torre de Londres, mas mais tarde mudou-se para Westminster. Nem os edifícios usados pelos saxões nem os construídos por Guilherme I sobreviveram. As partes mais antigas do Palácio são o Westminster Hall e o Grande Hall, ambos construídos no reinado do sucessor de Guilherme I, Guilherme II.

O Palácio de Westminster foi a principal residência dos monarcas ingleses no final do período medieval. O predecessor do Parlamento, a Curia regis (Conselho real), reunia-se no Westminster Hall (apesar de seguir o rei quando este se mudava para outros palácios). O "Parlamento Modelo", o primeiro Parlamento oficial da Inglaterra, reuniu-se no Palácio em 1295. Desde então, quase todos os Parlamentos se reuniram em Westminster, embora alguns tenham se reunido em outros locais.

Westminster permaneceu a principal residência real em Londres até que um incêndio destruiu uma parte de sua estrutura em 1529. Em 1530, Henrique VIII adquiriu o Palácio York ao Cardeal Thomas Wolsey, um poderoso ministro que perdera os favores do rei. Henrique VIII mudou o nome do palácio para Palácio de Whitehall e utilizou-o como residência principal. Embora Westminster permanecesse oficialmente um palácio real, foi usado pelas duas Câmaras do Parlamento e como tribunal de justiça.

Uma vez que o palácio era originalmente uma residência real, não possuía instalações adequadas para as duas Câmaras. Importantes cerimônias solenes, incluindo a Abertura Solene do Parlamento, decorreram na Câmara Pintada (Painted Chamber). A Câmara dos Lordes reunia-se habitualmente na Câmara Branca. A Câmara dos Comuns, de qualquer forma, não tinha um salão próprio; fazia muitas vezes os seus debates na Casa do Capítulo da Abadia de Westminster. Os Comuns só viriam a adquirir instalações permanentes no Palácio durante o reinado do sucessor de Henrique VIII, Eduardo VI, na Capela de Santo Estêvão, uma antiga capela real. A Lei das Capelas de 1547 (aprovada no âmbito da Reforma Protestante) dissolveu a Ordem Religiosa dos cónegos de Santo Estêvão (entre outras instituições); por esse motivo, a capela foi adstrita à Câmara dos Comuns, tendo sofrido as alterações necessárias.

Palácio de Westminster
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Leila Pereira

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