Transtorno de pânico
A perturbação de pânico é um transtorno de ansiedade caracterizado por ataques de pânico recorrentes e inesperados. Os ataques de pânico são períodos de medo intenso que podem ser acompanhados de palpitações, suores, tremores, falta de ar, entorpecimento ou a sensação de que algo terrível está prestes a acontecer. Os sintomas são diversos e manifestam-se subitamente, com o pico de intensidade ocorrendo em alguns minutos. A pessoa pode desenvolver ansiedade em relação a novas situações e tende a evitar locais onde ocorreram ataques anteriores.
As causas exatas dos ataques de pânico ainda são desconhecidas. Em muitos casos, verifica-se a presença de antecedentes familiares da condição. Entre os fatores de risco estão o tabagismo, o estresse psicológico e antecedentes de abuso infantil. O diagnóstico requer a exclusão de outras potenciais causas de ansiedade, incluindo outras perturbações mentais, condições médicas como doenças cardiovasculares ou hipertiroidismo, ou consumo de drogas. O rastreio da condição pode ser feito com um questionário.
A perturbação de pânico é geralmente tratada com aconselhamento psiquiátrico e medicação. O tipo de aconselhamento mais utilizado é a terapia cognitivo-comportamental, aplicada em mais de metade dos casos. Entre os medicamentos administrados estão antidepressivos e, em alguns casos, benzodiazepinas ou betabloqueadores. Após o fim do tratamento, a condição pode voltar a ocorrer em 30% das pessoas.
A perturbação de pânico afeta cerca de 2,5% da população em algum momento da vida. A condição geralmente começa a se manifestar durante a adolescência ou no início da idade adulta, mas pode afetar qualquer faixa etária. É menos comum entre crianças e idosos e é mais comum entre mulheres do que entre homens.
Causa
O sistema de "alerta" normal do organismo - o conjunto de mecanismos físicos e mentais que permite que uma pessoa reaja a uma ameaça - é ativado desnecessariamente durante uma crise de pânico, sem um perigo iminente real. Pessoas ansiosas são mais suscetíveis ao problema, envolvendo tanto fatores genéticos quanto aprendidos na convivência familiar, escolar e social. Entretanto, há muitas pessoas que desenvolvem o transtorno mesmo sem antecedentes familiares.
O cérebro produz substâncias chamadas neurotransmissores que são responsáveis pela comunicação entre os neurônios (células do sistema nervoso). Essas comunicações formam mensagens que afetam todas as atividades físicas e mentais do organismo (ex: fome, sono, prazer, tristeza, etc.). Um desequilíbrio na produção desses neurotransmissores pode levar a transmissão incorreta de informações e comandos pelo cérebro. Isso ocorre em uma crise de pânico, onde uma informação incorreta alerta e prepara o organismo para uma ameaça ou perigo que não existe. É como se um despertador tocasse o alarme em horas inapropriadas. No caso do transtorno de pânico, os neurotransmissores envolvidos no desequilíbrio são a serotonina e o GABA (ácido gama-aminobutírico) nas áreas ao redor do hipocampo e amígdala cerebelosa.
A amígdala cerebelosa tem um papel crucial na mediação dos estímulos sensitivos provenientes do tálamo e córtex sensitivo. A substância cinzenta periaquedutal também está envolvida na mediação da ansiedade e do pânico. Uma diminuição do metabolismo de glicose e na quantidade de receptores de serotonina tipo 1A nessa região pode dificultar o autocontrole da ansiedade e o relaxamento.
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